Quando penso em Parasite Eve, a memória que vem é muito específica: aquela sensação de estar jogando algo “adulto demais” para a idade — sombrio, sofisticado, quase proibido.
Na infância, ele não parecia apenas um RPG. Era diferente de tudo. Não tinha o visual colorido e fantasioso de Final Fantasy VII, nem a ação direta de Resident Evil. Ele ficava no meio-termo perfeito: tensão constante, combate estratégico em tempo real com pausa tática, e uma ambientação urbana que tornava tudo mais “real”.
A lembrança mais forte é o início no teatro — a ópera, o fogo espontâneo, o silêncio estranho antes do caos. Aquilo grudava na cabeça. Nova York coberta de neve, ruas vazias, criaturas bizarras surgindo de forma quase científica. Não era terror sobrenatural comum; era biologia, mitocôndrias, evolução. Mesmo sem entender completamente os conceitos, dava a sensação de que havia algo inteligente por trás da história.
Aya Brea parecia diferente das protagonistas da época. Forte, silenciosa, profissional. Não era caricata. Ela transmitia uma maturidade que contrastava com a idade de quem jogava.
O sistema de customização de armas também marcava: transferir atributos, evoluir equipamentos — aquilo dava uma sensação de controle e profundidade rara na época. Era o tipo de jogo que fazia você se sentir estratégico, mesmo que estivesse apenas tentando sobreviver.